O alarme toca. Eu ainda pude escutá-lo no meu sonho, bem ao longe. Controlo-me para não selecionar "soneca" assim que me levanto da cama.
Me troco, tomo um copo de suco e sigo para a estação de trem.
Compro o bilhete, passo na catraca, quase tropeço na minha saia, mas consigo pegar o bendito trem.
10 minutos relembrando recomendações: "cuidado com a bolsa, leve-a sempre à sua frente"
Desço na estação, rumo ao metrô.
Subo as escadas, levantando a minha saia na altura da canela, me concentrando para dar os devidos passos para não tropeçar.
Consegui, um pequeno orgulho surge. O metrô está ali, com as portas abertas.
"E agora? Dá tempo ou não dá?"
Em um salto, pulo pra dentro do vagão cujas portas de fecham logo atrás de mim.
Um orgulho maior surge, um orgulho ginasta.
Estação Trianon-Masp.
Subo mais escadas, prestando toda a atenção.
A superfície é linda: A Avenida Paulista está ensolarada.
Caminho rumo ao prédio Gazeta, rumo à minha palestra, rumo à mais escadas
ARGH
"Com licença, onde será a exibição do filme para o vestibular da Cásper?"
O segurança responde: "Logo aqui embaixo, na Reserva Cultural"
Desço as escadas e entro na Reserva.
Invado um encontro cerimonial, algo que tem a ver com a OAB
Paletós, gravatas e eu vermelha de vergonha.
Saio de lá rapidamente, subo as escadas novamente (mais aflição) e sento em um dos degraus.
Minha amiga chegou, com o namorado.
Vamos rumo ao auditório.
Duas horas de palestra mais meia de Mc Donald's.
"Queria ver como está a fila do Masp..."
Paro na frente e balbucio:
"Melhor deixar para outra vez..."
Seguimos para a livraria cultura, passamos por diversos orelhões estilizados e blusas por cinco reais.
Fiquei pouco lá.
Queria andar.
Dei alguma quantia para uma dupla de irmãos que tocava Coldplay na flauta e no violoncelo
"Parabéns, muito bonito"
Entrei no Starbucks duas vezes, saí sem comprar nada.
Parei em uma banca de jornal, comprei um dvd do Chaplin e peguei o metrô de volta pra casa.
FIM
sábado, 1 de setembro de 2012
sábado, 25 de agosto de 2012
#Conto: Bolo
Comecei esse conto em uma aula de química logo após de ter uma aula sobre Clarice Lispector, já podem imaginar que o resultado não foi lá essas coisas, certo?
Bom, aqui está.
O sol cega sua inferioridade. Reclusa em um banco de concreto quente está Ana, mastigando silenciosamente um pedaço de bolo. Os farelos parecem cair de sua alma, doce e enjoativa. Ela olha em volta. Não há nada que lhe desperte a atenção, há somente a futilidade alheia, a malícia escondida em cada gesto humano, por mais ínfimo que seja: Um abraço de um casal, ela fecha os olhos, ele revira os olhos. Uma senhora tropeça na calçada, um garoto abafa a risada com a mão. Um cliente ofende o garçom por trazer-lhe a comida fria, e cospe-lhe no sapato preto.
Nada presta, afinal. Mais uma mordida. Uma fuga do desinteresse.
Um súbito prazer invade os olhos de Ana: uma mosca pousa ao seu lado, parece observá-la com seus olhos verdes e saltados, imagem um tanto grotesca. O bolo dissolve na boca de Ana e a mosca é esmagada por um polegar. Um sorriso e mais uma mordida.
O casal se separa, ela pega um ônibus e ele liga para alguém, sussurra docemente ao telefone, palavras de amante. Tropeça em algo, uma perna, um pé? Não sabe, foi rápido demais, cai no chão e quebra seu nariz, sente o sangue escorrendo e corre à procura de socorro.
Um sorriso, mais uma mordida.
O sol fica mais alto, é em torno do meio-dia. Está no horário de almoço do menino que, após rir da senhora que tropeçou, ainda pegou suas moedas que caíram na calçada. Contente com o seu tesouro roubado, ele está a caminho de casa. Um pequeno pirata. Um pirata mau. Algo lhe atinge a cabeça, um pedregulho? Não sabe, foi rápido demais. Sua cabeça jorra sangue de pirata. Assustado, ele chama por sua mãe. Onde já se viu? Um pirata correndo para a mamãe?
Um sorriso, mais uma mordida.
O bolo está acabando, assim como o almoço do homem que ofendeu o garçom. Antes de ir embora ele chama o mesmo garçom, usa palavras chulas, o ofende mais uma vez e, não satisfeito, lhe chuta na barriga, o garçom se afasta humilhado e assustado. Antes que o homem pudesse proferir mais alguma ofensa foi atingido por um tiro, na barriga. Percebe-se o acontecido e todos começam a correr assustados, sem rumo, com medo de uma bala perdida. O corpo do homem permanece inerte, ensaguentado.
Ana caminha até ele e nota que na mesa está uma xícara de café, ainda quente, e como acompanhamento, um pequeno pedaço de bolo.
Um sorriso e mais uma mordida.
#fui
terça-feira, 31 de julho de 2012
Um fim
Amanhã será a minha última volta às aulas do meu colégio...
Eu não sei, mas eu estou com uma sensação esquisita, de que tudo vai acabar.
Quer dizer, tudo o que eu conheço e tive contato até agora, né? Só de pensar que ano que vem eu posso estar indo para uma faculdade que ensina tudo sobre o qual eu me interesso, desde criança, é uma sensação incrível.
O "novo" é incrível e assustador, sonhado e indesejado...
Eu me sinto muito imatura pra tudo que eu vou passar ano que vem, mas maturidade eu vou adquirindo ao decorrer da vida... Espero.
Quero manter antigas amizades, quero fazer novos amigos, quero conhecer tudo o que eu não conheço ainda.
Sei lá, tá tudo tão mudado e ao mesmo tempo tão igual.
Será só mais um fim, terei outros pela frente.
Boas Aulas, galera.
#fui
Eu não sei, mas eu estou com uma sensação esquisita, de que tudo vai acabar.
Quer dizer, tudo o que eu conheço e tive contato até agora, né? Só de pensar que ano que vem eu posso estar indo para uma faculdade que ensina tudo sobre o qual eu me interesso, desde criança, é uma sensação incrível.
O "novo" é incrível e assustador, sonhado e indesejado...
Eu me sinto muito imatura pra tudo que eu vou passar ano que vem, mas maturidade eu vou adquirindo ao decorrer da vida... Espero.
Quero manter antigas amizades, quero fazer novos amigos, quero conhecer tudo o que eu não conheço ainda.
Sei lá, tá tudo tão mudado e ao mesmo tempo tão igual.
Será só mais um fim, terei outros pela frente.
Boas Aulas, galera.
#fui
terça-feira, 24 de julho de 2012
Rap10 #6
Sabe o que não é legal? Abraçar, beijar, lamber e tentar tirar os óculos da estátua do Carlos Drummond, em Copacabana, sem saber ao menos um título de um poema dele.
Pessoa Aleatória: Poema? Mas ele não era ator?
Pessoa Aleatória: Poema? Mas ele não era ator?
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Pau no seu Cult
Oi oi oi
Fantasmas, primeiramente, vocês viram que o design do Produto do Acaso mudou?
Pessoa chata que odeia o blog sem nenhuma razão aparente: Nossa, que blog mais fru-fru, por que você colocou esse rosa cor de chiclete da Arcor? A cor mais sem-graça de todas...
Coloquei rosa pra mostrar a todos vocês como eu sou meiga, seus idiotas.
Aqui estou eu, em mais um mês de férias da minha pacata vida. Dei uma parada na aceleração centrípeta e vim fazer esse post porque esse blog, daqui a pouco, cria mofo.
Tenho observado algumas coisas curiosas de uns tempos pra cá: Perucas são mais caras do que eu pensei, já podemos dar uma voltinha ao redor da Lua, pessoas querem, cada vez mais, ser rotuladas e existem Milk-Shakes alcoólicos.
Não vou entrar no assunto de peruca, Lua ou Milk-Shake, mas quero falar das pessoas, raça que você, leitor fantasma, já foi um dia.
As pessoas possuem uma necessidade enorme de se destacarem na sociedade e, para isso, elas precisam ser reconhecidas por alguma definição que caia na boca das OUTRAS pessoas que as cercam.
Até aí, tudo bem. Todo mundo quer ser reconhecido, mas o problema começa quando esse reconhecimento acontece de modo forçado.
Tomemos como exemplo o termo "Hipster" ou lançador de tendência
Pessoa wanna be alguma coisa que não sabe o que é: Aaaah, olha aí. Mais uma falando de "hipsters" e como eles são parasitas na nossa sociedade, muito mainstream você.
Eu não acho que os "hipsters" sejam parasitas na nossa sociedade, aliás, eu nem sei explicar direito o que é um hipster, só sei identificá-lo.
Os verdadeiros parasitas dessa sociedade são as pessoas que forçam ser algo que não são e quando conseguem uma certa denominação espalham para o mundo inteiro e se auto-afirmam daquele jeito, o que faz a pessoa parecer patética.
Pessoa wanna be alguma coisa que não sabe o que é: Então quer dizer que, de fato, não existem "cults" "hipsters" "punks" "indies" "alternativos" "artistas" e etc? Só existem pessoas que forçam ser tudo isso?
Claro que não, cada pessoa é de um jeito. Você é "hipster", "punk", "indie" pelas coisas que você realmente gosta, pelas coisas que realmente te interessam e não pelas coisas que começaram a te interessar quando se tornaram "moda" e deixaram de te interessar quando saíram de "moda".
Se alguém te rotular, cabe a você ficar feliz ou não. Mas, por favor, não me venha se sentir "mal" ao te chamaram de alguma coisa porque o autêntico "hipster" não suporta que o chamem assim. POR FAVOR
Pessoa wanna be alguma coisa que não sabe o que é: E você, Isabella? Gosta de ser chamada de alguma coisa ou vai dizer que não só pra parecer mais descolada e auto-afirmativa?
Na verdade, gosto que me chamem de artista e, algumas vezes, de cult. Porque ser artista e ser culta são duas coisas que veem sendo meu objetivo a muito tempo e ser chamada assim me faz querer continuar a ser desse jeito.
Ah, não reparem nesse momento auto-estima legal, não. Eu me acho uma babaca, também.
Valeu, né?
Tchauzinho
Fantasmas, primeiramente, vocês viram que o design do Produto do Acaso mudou?
Pessoa chata que odeia o blog sem nenhuma razão aparente: Nossa, que blog mais fru-fru, por que você colocou esse rosa cor de chiclete da Arcor? A cor mais sem-graça de todas...
Coloquei rosa pra mostrar a todos vocês como eu sou meiga, seus idiotas.
Aqui estou eu, em mais um mês de férias da minha pacata vida. Dei uma parada na aceleração centrípeta e vim fazer esse post porque esse blog, daqui a pouco, cria mofo.
Tenho observado algumas coisas curiosas de uns tempos pra cá: Perucas são mais caras do que eu pensei, já podemos dar uma voltinha ao redor da Lua, pessoas querem, cada vez mais, ser rotuladas e existem Milk-Shakes alcoólicos.
Não vou entrar no assunto de peruca, Lua ou Milk-Shake, mas quero falar das pessoas, raça que você, leitor fantasma, já foi um dia.
As pessoas possuem uma necessidade enorme de se destacarem na sociedade e, para isso, elas precisam ser reconhecidas por alguma definição que caia na boca das OUTRAS pessoas que as cercam.
Até aí, tudo bem. Todo mundo quer ser reconhecido, mas o problema começa quando esse reconhecimento acontece de modo forçado.
Tomemos como exemplo o termo "Hipster" ou lançador de tendência
Pessoa wanna be alguma coisa que não sabe o que é: Aaaah, olha aí. Mais uma falando de "hipsters" e como eles são parasitas na nossa sociedade, muito mainstream você.
Eu não acho que os "hipsters" sejam parasitas na nossa sociedade
Os verdadeiros parasitas dessa sociedade são as pessoas que forçam ser algo que não são e quando conseguem uma certa denominação espalham para o mundo inteiro e se auto-afirmam daquele jeito, o que faz a pessoa parecer patética.
Pessoa wanna be alguma coisa que não sabe o que é: Então quer dizer que, de fato, não existem "cults" "hipsters" "punks" "indies" "alternativos" "artistas" e etc? Só existem pessoas que forçam ser tudo isso?
Claro que não, cada pessoa é de um jeito. Você é "hipster", "punk", "indie" pelas coisas que você realmente gosta, pelas coisas que realmente te interessam e não pelas coisas que começaram a te interessar quando se tornaram "moda" e deixaram de te interessar quando saíram de "moda".
Se alguém te rotular, cabe a você ficar feliz ou não. Mas, por favor, não me venha se sentir "mal" ao te chamaram de alguma coisa porque o autêntico "hipster" não suporta que o chamem assim. POR FAVOR
INCEPTION
Pessoa wanna be alguma coisa que não sabe o que é: E você, Isabella? Gosta de ser chamada de alguma coisa ou vai dizer que não só pra parecer mais descolada e auto-afirmativa?
Na verdade, gosto que me chamem de artista e, algumas vezes, de cult. Porque ser artista e ser culta são duas coisas que veem sendo meu objetivo a muito tempo e ser chamada assim me faz querer continuar a ser desse jeito.
Ah, não reparem nesse momento auto-estima legal, não. Eu me acho uma babaca, também.
Valeu, né?
Tchauzinho
sábado, 23 de junho de 2012
A Neopornochanchada
O cinema brasileiro está perdendo totalmente sua
credibilidade, seja em revistas, jornais ou guias, a minoria do público e os
críticos, simplesmente, parecem não levar mais em consideração filmes nacionais
apelativos e, ao mesmo tempo, vazios.
A busca pelo lucro e pelo ibope ultrapassou uma necessidade
antiga, senão clichê, do cinema: adentrar cultura e informação à sociedade e,
de fato, entreter o espectador com um humor inteligente. Penso o que um filme
como “Cilada.com” ou “E Aí... Comeu?” acrescentará ao espectador; diálogos
apelativos, cenas de sexo quase explícitas e enredo malfeito são algumas
características desse gênero de filme, cuja maioria de seus comentários após os
créditos são: “É... Engraçadinho”.
Tenta-se conquistar o público pelos níveis mais baixos de
conteúdo, já que a sociedade brasileira, aparentemente, não gosta de refletir
sobre os filmes que vê ou sobre qualquer coisa que faça.
Salvam-se as mais recentes exceções como “Xingu” e “O
Palhaço” consideradas, infelizmente, um fracasso de bilheteria. Por Quê? Porque
não são comédias que apelam para o sexual, são dramas que exigem reflexão e,
como já foi dito, o exercício de “refletir” não é o forte da sociedade
brasileira.
Obviamente, filmes do gênero “comédia-apelativa” são
necessários, em qualquer lugar do mundo, porém, moldar um cinema nacional em
cima de tal gênero não me parece uma ideia muito boa. Fazendo isso, tais
produtores e diretores estariam subestimando uma parcela da população que ainda
busca cultura e diversão nos filmes que vê.
Um desabafo, tô revoltada com o Mazzeo.
Falou, fantasmas.
Assinar:
Postagens (Atom)