quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Conto: Fantasmas - Parte I

Olá! 
Ao contrário do que vocês estão pensando, leitores fantasmas, o conto a seguir não é uma homenagem a vocês! É apenas um conto que terá mais duas ou três partes, dependendo do meu humor, imaginação e tempo.
Mas enfim, lá vai.



Achei um cantinho no metrô enquanto meu estômago vazio revirava o nada.
"Tome café lá"  Disse a voz autoritária invisível, aquela pousada no ombro esquerdo, com cornos na cabeça, assim que pulei da cama
"Tenho estômago forte" Incrementei em meus pensamentos

Pulo pra dentro do metrô e sinto pontadas no estômago
Ignoro por alguns momentos, mas elas continuam, agora com maior intensidade.
Me segurava, em pé, na barra de ferro quando comecei a suar frio
"Aqui não, aqui não! Não posso vomitar logo aqui"
O metrô não parava de chacoalhar.
E vomitar o quê, afinal? Minha tristeza, minha angústia? Pois era só isso que tomava lugar no meu estômago naquele momento.
O mal-estar não passava
"Acho que vou descer e ir ao banheiro vomitar, então"
Meus dentes começaram a bater incansavelmente

Bati o olho no reflexo da janela do vagão, eu parecia um fantasma.
Translúcida, sem expressão.
"É a pressão" Pensei desesperada "Desmaiar? Nunca desmaiei! Não será aqui... Ai, droga! Não feche os olhos,  não feche os..."
Meu organismo tapou meus ouvidos, senti uma gota de suor escorrer pelo meu rosto, minhas pernas bambearam e a visão escureceu. A última coisa que li foi "Chácara Klabin"
A estação fantasma, ri dentro de mim, quanta ironia...
Perdi os sentidos.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Um mau começo


Um novo ano começa e traz consigo, logo de início, uma tragédia.
Tragédia esta que dá origem a manchetes indignadas, protestos por todo o país e lágrimas de amigos e familiares.
Meu parecer inicial sobre o que houve em Santa Maria, RS, pode parecer insensível, mas posso assegurar que em menos de dois meses, o incêndio da boate Kiss será esquecido pelos brasileiros alheios à tragédia.

Nada confortará os amigos e famílias das vítimas, talvez nem o tempo, porém, a maioria daquelas pessoas que hoje digitam “LUTO” em todas as redes sociais existentes, que postam comentários criticando a falta de segurança das boates pelo Brasil, seguirá, no próximo fim de semana, para um clube noturno e não verificará se o lugar possui saídas de emergência ou extintores de incêndio disponíveis.

É o clássico pensamento: Aconteceu uma “fatalidade” / Que Deus conforte essas famílias/ Ainda bem que isso nunca acontecerá comigo.

Parece que essa última frase causa um bloqueio em nossos pensamentos, e “bloqueio” não corresponde, necessariamente, à “irresponsabilidade”, este pode ser considerado uma crença enorme em um destino livre de imprevistos perigosos, pensamento altamente arriscado.

Algumas providências já começaram a ser tomadas em alguns lugares do Brasil em relação a alvarás, regras de incêndio e fiscalização de boates, mas tais medidas não tiram o sentimento de desconfiança de parte dos brasileiros.
Mas e a outra parte dos brasileiros?
Esta esquecerá o que essa tragédia, apesar de seu caráter macabro, pode nos ensinar.
Esta parte esquecerá essa tragédia como esqueceu esta, esta e tantas outras que já ocorreram no nosso país.

E que fique dito, o incêndio na boate Kiss está longe de ser uma “fatalidade”, o que realmente aconteceu foi uma sucessão de erros, de irresponsabilidades, faltas de estrutura e de fiscalização que agora assombram nosso país.

Mais uma indignação para nossa lista.

Só desejo força a todos os envolvidos direta ou indiretamente na tragédia em Santa Maria.


sábado, 12 de janeiro de 2013

A grande bolha da individualidade virtual

Leitor Fantasma, vou te perguntar algo agora e espero que pense com seu cérebro inexistente e seja sincero consigo mesmo.

Quantas vezes você estava em uma casa com amigos e pelo menos metade deles estava mexendo em algum smartphone ou computador?

Quantas vezes, em um restaurante, você já não se deparou com um casal que, em vez de conversar, tirava foto da comida para postar no instagram?

Quantas vezes, em uma conversa informal, o assunto de repente se esvai e todos os participantes começam a dar "uma olhadinha" no twitter, facebook e etc pelo celular?

É duro aceitar que situações como essas que apresentei sejam consideradas "normais", ou pior, "dignas" de uma era totalmente informatizada cujo objetivo é se conectar com o número máximo de pessoas possível.
Objetivo um tanto incoerente, visto que, logo ao seu lado, pode estar seu amigo que não puxou assunto com você, mas acabou de curtir sua postagem no facebook.

Que a internet revolucionou o modo de como as pessoas se relacionam, todo mundo já está careca de saber.
Se fizermos uma pseudo-linha do tempo organizando as redes sociais mais famosas, poderemos chegar à uma conclusão interessante.

(Eu escrevi "pseudo" porque não colocarei as datas na linha do tempo... )

Essa tal organização ficaria assim:

ICQ - MSN - ORKUT - TWITTER - FACEBOOK

Os dois primeiros itens desse linha já são considerados extintos
Sim, no dia 15 de Março, os dois nem tão mais queridos bonequinhos do MSN deixarão de existir... Clique aqui para mais detalhes.

O Orkut virou a rede social da periferia. Quando se pensa em orkut, vem à cabeça churrasco na laje, foto no espelho com flash e comunidades toscas como "Odeio quem odeia determinada coisa"
Ou seja, uma rede social em extinção.

O twitter já teve dias melhores, apesar de continuar bem quisto dentre as mais famosas redes sociais.
E agora, a sensação do momento (que em minha humilde opinião, se transformará em "orkut" daqui uns 4 anos): O tão adorado facebook.
É uma certa perda de tempo ficar falando sobre o facebook, porque, hoje em dia, quase todas as pessoas nesse Brasil varonil possuem uma conta nessa rede social.
Porém, permitam-me analisar algumas coisas.

Os dois primeiros itens da minha tentativa de linha do tempo tinham como única e exclusiva função, promover a conversação virtual entre as pessoas. Ou seja, podemos dizer que a bolha da individualidade cresce tanto que agora invade até o mundo virtual.
Antes, as pessoas conversavam por msn e icq, hoje em dia curtem fotos e falam da própria vida e da vida alheia.
Os laços virtuais estão se estreitando, seguindo, portanto, o exemplo dos reais.

Porém, temos o outro gume da faca.
Uma rede social, que não é muito famosa no Brasil, é o Skype, que também tem como função promover a conversação virtual e em vídeo entre as pessoas.
Temos o próprio facebook que promove a interação real através de eventos e conversas que podem ser criados no próprio facebook.
Temos essa galera empreendedora que, além de fazer objetos ecológicos que usamos cotidianamente, usam as redes sociais para melhorar a qualidade de vida da população.

I GOT FAITH ON THE INTERNET
E você?

#fui xingar muito no twitter.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Tentativa de metalinguagem

Nunca consegui escrever um texto cujo tema fosse "nostalgia".
Acabo caindo em clichês e o texto fica, dizendo em um português claro, um saco de jiló.

Portanto, nada mais lógico do que começar o ano com um texto metalinguístico sobre:
A DIFICULDADE DE ESCREVER TEXTOS NOSTÁLGICOS SEM CAIR NA MESMICE.

Tadã

Como toda proto-jornalista, resolvi comprar um caderninho no qual pretendo anotar futuras observações que, daqui a alguns anos, serão dignas de receberem o Prêmio Pulitzer. 
Sonhos à parte, toda vez que a inspiração bate à porta, eu anoto alguma coisa e me parece que é só assim que consigo escrever textos...
Quando eu tento forçar a imaginação, meu texto sobre nostalgia termina sendo um relato meloso e entediante sobre a minha vida no ensino médio...

Frustrante.

Sempre escrevo sobre quão bom foi passar 6 anos em um mesmo colégio, conhecendo todas as pessoas dos mais diferentes jeitos e personalidades, ouvindo esporros e piadas de professores, usando um uniforme "wanna be colégio americano"... Enfim, clichês, clichês e mais clichês (Além disso, já tenho posts nostálgicos no blog...)
Acho que minha imaginação não sabe trabalhar sob pressão e isso é um problema.

Por exemplo, nesse exato momento empaquei no texto. Não sei como continuar a minha linha de raciocínio...
Devo mudá-la? Devo continuar resmungando? Será que faço um diálogo idiota igual a tantos que fiz nesses dois anos de produtodoacaso?

Minha vontade é de apagar todo esse texto, mas vou pensar mais um pouco em como terminá-lo.

Já pensei e cheguei a conclusão que nostalgia é algo muito complicado. Escrever sobre alguma coisa que envolve uma quantidade tão grande de sentimentos é uma prova de fogo... O autocontrole do escritor deve estar em um nível máximo para que o texto fique bom.

E eu estou exercitando isso.
Um dia eu chego lá.
Feliz Ano-Novo, leitores fantasmas fiéis

#fui


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Exercício Freudiano a 10000 metros de altura

"É pra ver melhor o tombo"

Para alguém que sofre um pequeno medo de avião, começar uma viagem com uma frase dessas faz despertar, no mínimo, uma pequena angústia.

Depois de uns dois minutos sentada no meu assento do avião, um homem se dirigiu até mim e me perguntou se aquele assento era, de fato, meu. Olhei o cartão de embarque e me desculpei. Estava já me levantando quando ele me deteu dizendo que não haveria problema de eu sentar aonde estava. Agradeci e me acomodei novamente, porém, não pude deixar de notar uma certa aflição da parte dele. Perguntei novamente se ele gostaria de sentar no assento dele, por direito.

"É que eu gosto de janelas" - Ele disse
"Sem problemas"
Troquei de lugar

"É que quando eu era pequeno tinha muito medo de andar de avião e evitava janelas, agora, faço questão de sentar perto delas" Ele agradeceu, disse a frase que citei no começo do texto, entre risos, e se acomodou.

Seriam as janelas, portanto, os olhos da alma?
Para mim, estava mais do que claro que havia uma superstição naquilo tudo: Um medo infantil ainda faiscando na idade adulta e um hábito, considerado pelo homem, vital para que o voo ocorresse normalmente. Freud na prática.
O medo se prende na mais ínfima das coisas e nos menores gestos: batuques na perna, o roer das unhas, um tremelique no lábio, entre tantos outros.
Em suma inocência ou em simples exercício de fé, acabamos por nos apegar a um tipo de amuleto que acreditamos nos proteger de toda e qualquer situação.
O amuleto desse homem era, portanto, sentar perto da janela do avião em todas as suas viagens "garantindo", assim, a segurança do voo.
Seu medo latente foi confirmado por ele mesmo, cinco minutos após a decolagem:

"Voar é muito louco, né? Eu morro de medo, mas adoro."

O medo nos desafia, impõe limites e nos desperta os sentimentos mais antagônicos possíveis.
Ao sair do avião, notei que estava sem meu colar com o qual sempre viajo, meu amuleto, em outras palavras. Considerei que o hábito daquele homem serviu como uma compensação, mas acho melhor não arriscar na próxima viagem: me esforçarei para lembrar de usar meu colar.


sábado, 1 de setembro de 2012

Peripécias de um sábado de inverno

O alarme toca. Eu ainda pude escutá-lo no meu sonho, bem ao longe. Controlo-me para não selecionar "soneca" assim que me levanto da cama.
Me troco, tomo um copo de suco e sigo para a estação de trem.
Compro o bilhete, passo na catraca, quase tropeço na minha saia, mas consigo pegar o bendito trem.
10 minutos relembrando recomendações: "cuidado com a bolsa, leve-a sempre à sua frente"
Desço na estação, rumo ao metrô.
Subo as escadas, levantando a minha saia na altura da canela, me concentrando para dar os devidos passos para não tropeçar.
Consegui, um pequeno orgulho surge. O metrô está ali, com as portas abertas.
"E agora? Dá tempo ou não dá?"
Em um salto, pulo pra dentro do vagão cujas portas de fecham logo atrás de mim.
Um orgulho maior surge, um orgulho ginasta.
Estação Trianon-Masp.
Subo mais escadas, prestando toda a atenção.
A superfície é linda: A Avenida Paulista está ensolarada.
Caminho rumo ao prédio Gazeta, rumo à minha palestra, rumo à mais escadas
ARGH
"Com licença, onde será a exibição do filme para o vestibular da Cásper?"
O segurança responde: "Logo aqui embaixo, na Reserva Cultural"
Desço as escadas e entro na Reserva.
Invado um encontro cerimonial, algo que tem a ver com a OAB
Paletós, gravatas e eu vermelha de vergonha.
Saio de lá rapidamente, subo as escadas novamente (mais aflição) e sento em um dos degraus.
Minha amiga chegou, com o namorado.
Vamos rumo ao auditório.
Duas horas de palestra mais meia de Mc Donald's.
"Queria ver como está a fila do Masp..."
Paro na frente e balbucio:
"Melhor deixar para outra vez..."
Seguimos para a livraria cultura, passamos por diversos orelhões estilizados e blusas por cinco reais.
Fiquei pouco lá.
Queria andar.
Dei alguma quantia para uma dupla de irmãos que tocava Coldplay na flauta e no violoncelo
"Parabéns, muito bonito"
Entrei no Starbucks duas vezes, saí sem comprar nada.
Parei em uma banca de jornal, comprei um dvd do Chaplin e peguei o metrô de volta pra casa.
FIM

sábado, 25 de agosto de 2012

#Conto: Bolo


Comecei esse conto em uma aula de química logo após de ter uma aula sobre Clarice Lispector, já podem imaginar que o resultado não foi lá essas coisas, certo?
Bom, aqui está.

O sol cega sua inferioridade. Reclusa em um banco de concreto quente está Ana, mastigando silenciosamente um pedaço de bolo. Os farelos parecem cair de sua alma, doce e enjoativa. Ela olha em volta. Não há nada que lhe desperte a atenção, há somente a futilidade alheia, a malícia escondida em cada gesto humano, por mais ínfimo que seja: Um abraço de um casal, ela fecha os olhos, ele revira os olhos. Uma senhora tropeça na calçada, um garoto abafa a risada com a mão. Um cliente ofende o garçom por trazer-lhe a comida fria, e cospe-lhe no sapato preto.
Nada presta, afinal. Mais uma mordida. Uma fuga do desinteresse.
Um súbito prazer invade os olhos de Ana: uma mosca pousa ao seu lado, parece observá-la com seus olhos verdes e saltados, imagem um tanto grotesca. O bolo dissolve na boca de Ana e a mosca é esmagada por um polegar. Um sorriso e mais uma mordida.
O casal se separa, ela pega um ônibus e ele liga para alguém, sussurra docemente ao telefone, palavras de amante. Tropeça em algo, uma perna, um pé? Não sabe, foi rápido demais, cai no chão e quebra seu nariz, sente o sangue escorrendo e corre à procura de socorro.
Um sorriso, mais uma mordida.
O sol fica mais alto, é em torno do meio-dia. Está no horário de almoço do menino que, após rir da senhora que tropeçou, ainda pegou suas moedas que caíram na calçada. Contente com o seu tesouro roubado, ele está a caminho de casa. Um pequeno pirata. Um pirata mau. Algo lhe atinge a cabeça, um pedregulho? Não sabe, foi rápido demais. Sua cabeça jorra sangue de pirata. Assustado, ele chama por sua mãe. Onde já se viu? Um pirata correndo para a mamãe?
Um sorriso, mais uma mordida.
O bolo está acabando, assim como o almoço do homem que ofendeu o garçom. Antes de ir embora ele chama o mesmo garçom, usa palavras chulas, o ofende mais uma vez e, não satisfeito, lhe chuta na barriga, o garçom se afasta humilhado e assustado. Antes que o homem pudesse proferir mais alguma ofensa foi atingido por um tiro, na barriga. Percebe-se o acontecido e todos começam a correr assustados, sem rumo, com medo de uma bala perdida. O corpo do homem permanece inerte, ensaguentado.
Ana caminha até ele e nota que na mesa está uma xícara de café, ainda quente, e como acompanhamento, um pequeno pedaço de bolo.
Um sorriso e mais uma mordida.

#fui