- Sentar na janela do metrô.
- O cheiro do óleo de Dendê que parece subir "pelo nariz" depois de comer um prato baiano
- Encarar por 1 minuto, após o término de um filme, a tela do computador, da tevê, ou do cinema em completo silêncio.
- O barulho do meu relógio de corda.
- Quando o refrão de uma música que estou ouvindo enquanto ando coincide com uma porta que se abre ou comigo pisando em um último degrau.
- O modo como as cabeças dos passageiros vão pra frente simultaneamente quando o trem breca.
- "Senti sua falta".
- Fitas de cetim novas para minhas sapatilhas de ponta.
- Risadas "sem som".
- Fazer beatbox com o Google Tradutor.
- Idosos que seguram sua bolsa no metrô quando você está em pé.
- Usar Própolis sem motivo nenhum.
- Aquela caneta que tem três cores.
- Cheiro de spray de cabelo.
- Limpar a caixinha do apontador.
- Conseguir ler meu signo na Tv Minuto do metrô.
- Cartas antigas.
- Relicários novos.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Branca de Neve e o Facebook
Fantasmas do feice, tenho certeza de que vocês já viram essa imagem zanzando no feed de notícias de vocês, certo?
Bom, eu não me considero uma profunda conhecedora do primeiro longa animado da Disney (até porque considero a Branca de Neve a princesa mais sem-graça de todas), mas tenho conhecimento suficiente para alegar que essa imagem, que tenho visto já há uns bons meses, está bem errada.
Acredito que todos conheçam a história da branquela mais querida de todos os tempos: herdeira digna do trono, Branca de Neve é maltratada pela madrasta que julga ser mais bonita do que ela, porém, um dia, enquanto limpava o poço do castelo, Branca de Neve recebe a visita de um Príncipe Encantado de batom chamado Príncipe Encantado e, obviamente, rola um clima medieval, com direito a beijinhos via pombas brancas e juras de amor.
Portanto, vamos ao principal erro desta imagem: mulher bonita e desconhecida.
Pombas brancas! Eles já se conheciam! Cantaram juntos aos olhos invejosos da madrasta e tudo mais.
EIS A PROVA:
Porém, o que mais me incomoda é saber que crianças de 11, 12 anos insistem em compartilhar tal encheção de saco ao invés de se preocuparem em assistir ao filme que marcou a infância de muita gente.
O que está acontecendo com o "felizes para sempre" dessa geração?
Acho que se resume ao #likes4likes, certo?
E quanto ao "resolve beijar e casar, NORMAL", não se esqueçam que se trata de um filme infantil, que retrata uma princesa, da Disney, feito em 1937, acho que pormenores são um tanto desnecessários...
Assistam ao filme, morram de medo da madrasta, cantem com o sete anões e, se quiserem fazer uma reflexão a mais sobre o filme, reflitam sobre a falta de lógica desse fato, e não do amor verdadeiro:

Acredito que todos conheçam a história da branquela mais querida de todos os tempos: herdeira digna do trono, Branca de Neve é maltratada pela madrasta que julga ser mais bonita do que ela, porém, um dia, enquanto limpava o poço do castelo, Branca de Neve recebe a visita de um Príncipe Encantado de batom chamado Príncipe Encantado e, obviamente, rola um clima medieval, com direito a beijinhos via pombas brancas e juras de amor.
Portanto, vamos ao principal erro desta imagem: mulher bonita e desconhecida.
Pombas brancas! Eles já se conheciam! Cantaram juntos aos olhos invejosos da madrasta e tudo mais.
EIS A PROVA:
Porém, o que mais me incomoda é saber que crianças de 11, 12 anos insistem em compartilhar tal encheção de saco ao invés de se preocuparem em assistir ao filme que marcou a infância de muita gente.
O que está acontecendo com o "felizes para sempre" dessa geração?
Acho que se resume ao #likes4likes, certo?
E quanto ao "resolve beijar e casar, NORMAL", não se esqueçam que se trata de um filme infantil, que retrata uma princesa, da Disney, feito em 1937, acho que pormenores são um tanto desnecessários...
Assistam ao filme, morram de medo da madrasta, cantem com o sete anões e, se quiserem fazer uma reflexão a mais sobre o filme, reflitam sobre a falta de lógica desse fato, e não do amor verdadeiro:

"Achar uma cabana abandonada... Limpá-la"
Seria TOC, ou #instagentileza?
Crianças, o primeiro amor da minha vida foi o Dunga, exercitem isso...
Ou não.
Até mais!
Seria TOC, ou #instagentileza?
Crianças, o primeiro amor da minha vida foi o Dunga, exercitem isso...
Ou não.
Até mais!
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Do caderninho pardo
O curta-metragem do David Lynch havia acabado e um canto breve, porém bonito, de um passarinho amezinou a atmosfera sombria, digna do diretor, que se alastrava pelo quarto.
Ela foi até a janela e lá estava a pequena ave, um simples passarinho urbano, pousada na tela de tecido já carcomida pelo tempo.
O contraste era bonito.
Tirou uma foto.
5,6 likes em dois minutos.
Voltou ao seu computador.
Porém, dessa vez, a cantoria não parava. Ela tentou mudar de cômodo, foi para a sala, para a cozinha, mas a melodia continuava em alto e bom som. Voltou ao seu quarto, abriu a janela novamente na tentativa de localizar a ave, não conseguiu, mas sentiu um vento fresco no rosto, nem parecia inverno.
E assim se deixou ficar por alguns minutos.
A cantoria do pássaro continuava, parecendo convidá-la a sair, o vento continuava soprando e seus olhos conseguiam enxergar beleza até no edifício cor de baunilha, do qual sempre reclamava por estragar a vista do seu quarto.
Decidiu, por fim, sair.
Abandonou Lynch, resgatou seu caderninho pardo e saiu pela porta da frente com três reais.
No elevador, não pode deixar de notar que sua respiração, sempre um pouco constipada, lembrava vagamente o pio de um passarinho, daqueles urbanos.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
#Crônica: Concisão e Religião
- Meu Deus, você viu o que aconteceu?
- O que você disse?
- “Você viu o que aconteceu?”
- Não, antes disso...
- “Meu Deus”...
- Você não é ateu?
- Sou, ué.
- Então você não pode falar essa expressão se você não
acredita em Deus...
- Mas é uma expressão comum...
- Não interessa, não condiz com a sua descrença.
- E você? Se diz católico, mas nunca vai à Igreja!
- É que eu não tenho muito tempo...
- Então não é católico.
- Sou católico não-praticante.
- Olha, sinceramente... Começo a achar que esses rótulos
religiosos exóticos servem como desculpa para evitar o ateísmo.
- O ateísmo é triste, você deve sentir um vazio enorme
dentro de você.
- Não sinto. Não preciso de nada que me sustente ou que me
dê forças.
- Todos precisamos sentir que somos protegidos 24 horas por
dia por um ser superior.
- Um ser superior invisível? Desculpe, não entra na minha
cabeça.
- Não quero ser inconveniente, mas e as coisas boas com as
quais você é agraciado? Você não pensa em agradecer?
- Não. Penso que tudo que consegui foi com meu esforço, sem
a ajuda de uma força maior.
- Estranho, não consigo ficar sem agradecer a Deus nem por
um dia...
- “A Fé não dá respostas, só impede perguntas.”
- A Fé é a resposta, em si.
- A Fé é a causa de muitas guerras por esse mundo afora. Se
todos fôssemos descrentes, não precisaríamos competir pra ver qual Deus é
superior.
- Tem certeza que não está confundindo a igreja com Deus?
- Como assim?
- A religião é feita por homens, por isso é tão imperfeita,
mas Deus...
- Foi feito por homens também.
- Discordo.
- Então como ele surgiu? Foi uma auto-fabricação?
- Esse é um dos dogmas de nossa religião...
- Como eu disse, a fé...
- Cuida, é responsável por espalhar o amor de Deus.
- E você acha que o amor de Deus é o mais importante?
- Ele deve vir acima de todas as coisas.
- Pois então, diga isso para uma mãe que acabou de perder o
filho adolescente em um assalto, diga isso à menina de 8 anos que viu seu avô
morrer e se pergunta todos os dias o motivo de sua morte, diga a um...
- São escolhas de Deus, podem parecer injustas, mas todos
nós temos um destino traçado por Ele.
- Acho que concordamos em alguma coisa: karma.
- Exato, é preciso fazer escolhas que se refletirão no
futuro...
- É preciso aceitar e respeitar o diferente...
- “É pelas próprias virtudes que se é mais bem castigado.”
- Um religioso citando Nietzsche?
- Veio ao caso, certo? Mas, o que você queria me falar no
começo da conversa?
- Antes de tudo isso? Ah, sim. Você viu que o novo Papa é
argentino?
- Brincadeira, né. Eles já têm o Messi e agora conseguiram o
Papa também...
- Temos o Pelé, pelo menos...
- É, o “Deus do futebol”
- Mas isso não é dizer o nome de Deus em vão?
- ... Mas é algo tão comum de se dizer, né?
Prometi que iria atualizar mais o blog nessas férias, mas uma arma branca chamada Cobras Criadas está tomando bastante o meu tempo...
Porém, as férias ainda não acabaram!
Mantenham as esperanças, ou não.
Fui
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Camus na Linha 2 - Verde
O transporte público, agora pago com 3 reais novamente, é tachado como uma das coisas mais clichês da cidade grande.
Não há mais espaço para questionamentos quando se usa o ônibus ou o metrô, mas sim para pequenos cochilos, fones de ouvido, briga por assentos (de preferência, aqueles do lado de alguma janela) e algum eventual problema de funcionamento.
Rotina...
Era mais um sábado pegando o metrô da Linha Verde sentido Vila Madalena:
Tamanduateí - Sacomã - Alto do Ipiranga - Santos-Imigrantes - Chácara Klabin - Ana Rosa e...
E nada, não naquele dia.
Parei de ler meu texto das aulas de teatro e escutei a voz feminina que ecoava no vagão dizendo que aquele trem retornaria para a Vila Prudente.
"A linha verde tá cada vez pior", pensei comigo mesma e saí do trem.
Mudei de plataforma na estação Ana Rosa e confundi o espaço-tempo: eram tantas pessoas que eu me senti no Brás, às 6 da tarde.
A voz feminina do além voltou e disse: "Devido à presença de usuário na via, todos os trem da Linha Verde estarão circulando com velocidade reduzida."
Eu ouvi diversos "aah", "se ferrar", "será que tem algum ônibus que vai daqui pra Paulista?", "brincadeira..."
Foram quase 20 minutos esperando um trem aparecer. Quando ele finalmente chegou, o caos se instalou, chegando ao nível de "Sé às 6 da tarde".
Quando me vi sentada, pessoas ao meu lado começaram a discutir o que houve.
"Um cara se jogou da plataforma da estação Clínicas e morreu, disseram que ele tá estatelado nos trilhos".
"Que horror".
"E por que não se mata em casa? Fica atrapalhando a vida dos outros...".
Opa! Seria esse o gancho para uma reflexão no transporte público da grande São Paulo?
É, foi.
Ofensa contra Deus, questão de honra ou, minha definição favorita feita por Albert Camus, "grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia."
Seja qual for o termo que o designa, o suicídio sempre fora um assunto extremamente delicado, senão polêmico.
O rapaz do metrô foi uma das 24 pessoas que cometem suicídio por dia, no Brasil.
Porém, chega a ser insensível reduzir esse fato apenas a números...
"Foi só mais um..."
Tirar a própria vida é algo digno de um homem corajoso ou covarde?
Bom, depende de que parte do mundo e em qual época você está.
Na época dos samurais, se um guerreiro cometesse suicídio, ou o chamado seppuku, era respeitado por tentar restaurar sua honra. Ainda no Japão, mas alguns séculos depois, existiram os pilotos suicidas, que usavam capacetes(?), denominados kamikazes, que morriam em combate durante a 1ª Guerra Mundial.
Entretanto, a maioria das religiões desaprovam a ideia. Os cristãos e judeus dizem que se matar é um pecado gravíssimo, os islâmicos alegam que o suicídio é visto como uma descrença em Deus (alguém chama a Al-Qaeda e o Hamas no whatsapp e conte a grande novidade!) e os hindus e budistas também não simpatizam com a prática.
O fatídico "recurso final" pode acontecer por várias razões e só cabe aos passageiros do metrô daquele sábado ensolarado imaginarem o que ocorrera, de fato.
"Tristeza profunda..."
"Drogas, talvez?"
"Perdeu o emprego, aposto..."
"Acho que tinha alguma doença mental..."
Quando desembarquei na estação de sempre, pude ouvir a voz feminina do além uma última vez:
"A circulação de trens foi normalizada"
Isso, para mim, soou quase como: "Chega de existencialismo e volte ao seu texto do teatro".
Só quebrando um pouco o clima obeso do post:
É isso, gente
Minhas férias começaram! Então virão mais posts por aí, para a (in)felicidade de vocês!
Fui-me
domingo, 14 de abril de 2013
Quando nada funciona
E as opiniões se divergem mais uma vez.
O assassinato do universitário Victor Deppman, 19 anos, por um menor de idade, 3 dias atrás, trouxe novamente à tona um antigo assunto: a maioridade penal.
Como a sociedade é efêmera e volúvel, tais assuntos considerados polêmicos têm que ser abordados muito rapidamente antes que fujam do alcance daqueles que acompanham assiduamente a mídia, que nada mais é do que uma renovação constante.
Portanto, eis minha abordagem:
A sociedade brasileira é definida por mim como "8 ou 80". De um lado, temos os pseudo-reacionários, que querem punições mais severas para criminosos e a diminuição da maioridade penal a todo custo e, do outro lado, temos os utopistas que acreditam que a educação brasileira é capaz de mudar o caráter de um indivíduo.
Minha opinião? Nenhuma das duas visões é válida e eu vou tentar explicar o por quê.
O vice-presidente da república, Michel Temer, deu seu depoimento sobre a situação da maioridade penal e disse: "Li hoje um argumento para reduzir [a maioridade] para 16 anos, mas, e daí, se o sujeito tem 15 anos e meio, e comete um crime, vamos reduzir para 15 anos? Não sei se é por aí a solução", disse. "Talvez seja aquilo que o governo federal está tentando fazer: planos para dar incentivo e amparo aos menores".
Acho que o vice-presidente deve saber melhor do que eu que esses "planos de incentivo e amparo aos menores" estão longe de serem eficazes.
Se temos escolas cujo o prazo para entrega está atrasado a mais de dois anos, se temos a Fundação Casa, para onde o menor de idade que assassinou Victor foi encaminhado, que já atingiu duas vezes o número de menores permitido (ou seja, superlotação), será que teremos um plano de incentivo e desamparo aos menores realmente eficiente?
Somos a 6ª maior economia mundial e estamos em penúltimo lugar, de 40 países analisados, no ranking de qualidade de educação, segundo dados de 2012.
E uma grande ilusão é crer que a educação pode mudar a essência de um indivíduo.
E se o criminoso for diagnosticado com sinais de psicopatia, por exemplo? A Fundação Casa se julgará um órgão impotente nesse aspecto e, nesse caso, o que realmente traria resultados de melhora seria uma internação ou acompanhamento psicológico.
Mas quando, em um país como o Brasil, teremos acompanhamento psicológico para os "meliantes"?
Nunca.
E acredito que a família e os amigos de vítimas de menores de idade, em um momento de tristeza e rancor, dificilmente aceitarão argumentos de que "punição não é a solução! Precisamos de mais educação"
O que essas pessoas procuram é justiça e, em casos mais graves, vingança. E é a partir daí que começa o problema.
A redução da maioridade penal se mostra, também, ineficaz porque a justiça no Brasil é igualmente ineficaz. Se o indivíduo for preso com 16 anos e entrar com alguns recursos na justiça, será solto 2 anos depois e estará livre para cometer mais crimes.
O sistema carcerário brasileiro está entre os piores do mundo e seria um antro para o adolescente desenvolver um certo "ódio de tudo e de todos" e, pior, desenvolver um contato com o crime organizado bastante presente nas prisões brasileiras, o que não ajudaria em nada na sua recuperação. Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente já reserva determinadas penas para o menor infrator, e a principal é a internação em entidades, como a Fundação Casa, por 3 anos.
Portanto, nenhum dos lados funciona porque o nosso país não funciona.
Temos leis que não se cumprem, falta de investimentos em educação, nos presídios, na Fundação Casa e etc.
Tudo se encaminha para uma visão dita como "pessimista", mas que eu julgo como "realista": Diminuição da maioridade penal é imediatismo e a fé na educação como "mudança" é utopia.
Que seja feita a justiça, de uma forma ou de outra, e que o Victor, e muitas outras vítimas de tamanha crueldade, descansem em paz.
sábado, 23 de março de 2013
Calda de menta e sinceridade
O abastecimento do meu vício por café é o Mc Donald's.
Além de ter o expresso mais barato da região compreendida entre as estações Trianon-Masp e Brigadeiro, tem um ambiente agradável e misterioso.
Misterioso porque só é possível acessar o chamado "Mc Café" ou por uma travessa da Paulista, ou por uma discreta escada nos fundos do Mc Donald's, quase uma plataforma 9 3/4 brasileira...
E posso dizer que penei pra achar esse lugar. Perguntei pros funcionários do lugar e eles disseram:
"É uma escada no canto do estabelecimento, moça"
Se fiquei 5 minutos procurando, é pouco.
Até que me deparo com um cartaz gigante dizendo "Não perca essa promoção, expresso por R$ 2,50" (ou algo do tipo) e uma flecha vermelha apontando para a diagonal inferior esquerda.
Se fiquei 5 minutos encarando o cartaz, é pouco.
Enfim, tive a brilhante ideia de olhar "por trás" da parede na qual estava pendurada o cartaz e descobri uma escada de mármore.
Desci as escadas, comprei meu expresso e fui pra faculdade.
E esse foi o início de uma bela história de amor e dependência.
Agora vamos para o acontecimento em si.
Semana passada, descobri alguns trocados a mais no bolso da minha calça. Somei com os trocados que já tinha (em uma das primeiras contas de matemática do ano) e descobri 6 reais.
"Dá pra comprar dois expressos e ainda sobra 1 real pra absolutamente nada" pensei.
Porém, após descer as escadas de mármore da tentação, peguei o cardápio e uma bebida que tinha leite integral, café, chocolate e menta me interessou. E o mais interessante era o preço: 6 reais.
"Moço, quero esse daqui"
"...Um momentinho, moça"
Outro atendente veio falar comigo, fiquei confusa.
"(pigarro) Então, moça, não temos esse que você quer"
"Ah, não?"
"Na verdade, não é que não temos... É que eu não sei fazer..."
E agora, leitor fantasma?
Deveria ter ficado brava pela falta de treinamento que o Mc Donald's dá a seus funcionários ou deveria ter ficado orgulhosa da raça humana pelo atendente ter sido o mais sincero possível?
No fim, fui indiferente.
Dei uma risada meio cor de burro quando foge e paguei 2,50 pelo expresso.
Os outros 3,50 estão guardados, caso queiram saber.
Ainda estou em busca da minha bebida com calda de menta e de melhor preparo do proletariado.
Fui
Além de ter o expresso mais barato da região compreendida entre as estações Trianon-Masp e Brigadeiro, tem um ambiente agradável e misterioso.
Misterioso porque só é possível acessar o chamado "Mc Café" ou por uma travessa da Paulista, ou por uma discreta escada nos fundos do Mc Donald's, quase uma plataforma 9 3/4 brasileira...
E posso dizer que penei pra achar esse lugar. Perguntei pros funcionários do lugar e eles disseram:
"É uma escada no canto do estabelecimento, moça"
Se fiquei 5 minutos procurando, é pouco.
Até que me deparo com um cartaz gigante dizendo "Não perca essa promoção, expresso por R$ 2,50" (ou algo do tipo) e uma flecha vermelha apontando para a diagonal inferior esquerda.
Se fiquei 5 minutos encarando o cartaz, é pouco.
Enfim, tive a brilhante ideia de olhar "por trás" da parede na qual estava pendurada o cartaz e descobri uma escada de mármore.
Desci as escadas, comprei meu expresso e fui pra faculdade.
E esse foi o início de uma bela história de amor e dependência.
Agora vamos para o acontecimento em si.
Semana passada, descobri alguns trocados a mais no bolso da minha calça. Somei com os trocados que já tinha (em uma das primeiras contas de matemática do ano) e descobri 6 reais.
"Dá pra comprar dois expressos e ainda sobra 1 real pra absolutamente nada" pensei.
Porém, após descer as escadas de mármore da tentação, peguei o cardápio e uma bebida que tinha leite integral, café, chocolate e menta me interessou. E o mais interessante era o preço: 6 reais.
"Moço, quero esse daqui"
"...Um momentinho, moça"
Outro atendente veio falar comigo, fiquei confusa.
"(pigarro) Então, moça, não temos esse que você quer"
"Ah, não?"
"Na verdade, não é que não temos... É que eu não sei fazer..."
E agora, leitor fantasma?
Deveria ter ficado brava pela falta de treinamento que o Mc Donald's dá a seus funcionários ou deveria ter ficado orgulhosa da raça humana pelo atendente ter sido o mais sincero possível?
No fim, fui indiferente.
Dei uma risada meio cor de burro quando foge e paguei 2,50 pelo expresso.
Os outros 3,50 estão guardados, caso queiram saber.
Ainda estou em busca da minha bebida com calda de menta e de melhor preparo do proletariado.
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